Velódromo Nacional de Sangalhos, um equipamento de alto rendimento

Velódromo

Projetado pelo  arquiteto Rui Rosmaninho, o Velódromo Nacional de Sangalhos é a única pista coberta com 250 metros para ciclismo em Portugal.

 

No âmbito da visita de autor promovida pelo NARC – Núcleo de Arquitectos da Região de Coimbra, com o apoio da Sanindusa e da Câmara Municipal da Anadia, visitamos o Velódromo Nacional de Sangalhos. A visita decorreu no dia 17 de novembro, guiada pelo arquiteto Rui Rosmaninho, autor do projeto.

Arquitetura

O Velódromo Nacional – Centro de Alto Rendimento de Sangalhos é uma infraestrutura desportiva que acolhe as modalidades de Ciclismo, Esgrima, Judo, Ginástica, Trampolins e Desportos Acrobáticos. A localização em Sangalhos, concelho da Anadia, está justificada pela sua grande tradição e centralidade no ciclismo nacional. A infraestrutura desportiva alberga a única pista coberta com 250 metros para a prática de ciclismo no país e um centro de estágios.

  

A volumetria, de linhas simples e puras, é marcante e contemporânea. Materializa-se essencialmente na interligação de dois corpos distintos: um grande volume de base elíptica e outro paralelepipédico, de marcada horizontalidade.

O volume de base elíptica corresponde funcionalmente à pista de ciclismo e a um recinto central para uso de diferentes modalidades. Ciclismo e outros desportos funcionam em simultâneo a duas cotas diferenciadas. As bancadas para espetadores também são distintas e autónomas. Esta opção arquitetónica foi inovadora e permitiu uma grande redução de custos.

O segundo volume, paralelepipédico, alberga no piso térreo uma área de restauração e uma sala de conferências. Nos pisos superiores funciona o centro de estágios, com 16 quartos para atletas de alta competição. A cave alberga estruturas complementares: health club, oficinas, ginásio, entre outros.

A entrada principal faz-se no ponto de charneira dos dois volumes. Isto permite o controlo em simultâneo de acessos ao recinto e centro de estágios. Destaca-se no átrio o mural cerâmico do artista plástico  Paulo Júlio, também chamado a intervir em outras obras deste arquiteto.

A pele dos dois corpos também é diferenciada. O grande volume elíptico tem revestimento em chapa de zinco, um material de baixa manutenção que pouco acusa o desgaste natural. O volume do centro de estágios possui revestimento em painéis fenólicos, com acabamento em textura de madeira.


 

 

A madeira como elemento principal estrutural e de revestimento

A madeira assume papel de destaque no interior do recinto do velódromo, tanto como elemento estrutural como de revestimento. A opção pelo uso deste material concilia beleza, menor custo face a outras soluções e baixos custos de manutenção. Por outro lado, o seu uso na pista garante altas performances em termos de velocidade.

O tipo de madeira usada na pista é madeira lamelada colada, LVL (Laminated Venner Lumber). Esta é uma das primeiras pistas com este revestimento na Europa. Também toda a estrutura de suporte da pista é em madeira, tendo uma complexa estrutura que garante a forma elíptica da pista e a sua grande inclinação. Cada peça que a compõe é única, obrigando a um rigoroso trabalho de projeto e também de montagem em obra.

A cobertura, pretendendo ser uma repetição do desenho da pista, tem uma estrutura de asnas em madeira lamelada, de abeto austríaco. Cobre um vão de 118 metros de comprimento e 82 metros de largura, obrigando a uma asna central com 7 metros de altura. A colocação das asnas, a uma altura de cerca de 30 metros, obrigou a uma complexa logística de obra.

O revestimento principal é formado por painéis OSB. Mais uma vez, usou-se um material de baixo custo, reduzida manutenção e com uma estética que transmite cor e conforto.

O vidro que separa a pista de ciclismo do recinto polivalente obedece a características técnicas específicas: é triplo, antirreflexo e resistente a choque.

Também toda a iluminação da pista teve que ser indireta. As zonas de acesso e distribuição possuem amplos envidraçados, com comunicação visual direta com o exterior.

A forma dominante: a curva.

No interior do centro de estágios também se conjuga madeira com a cor branca.





Sobre Rui Rosmaninho, arquitecto

Rui Rosmaninho é licenciado pelo DARQ-UC. Inicia a sua atividade profissional em 1996 na Câmara Municipal da Anadia, onde realiza projetos de âmbito público. A sua arquitetura, de volumetrias puras, tem em conta o sítio, a resolução de problemas construtivos, a adequação ao programa pretendido, bem como preocupações de sustentabilidade.

Das suas obras destaca-se: a Biblioteca Municipal e as Piscinas da Anadia, os Centros Escolares de Sangalhos e de Avelãs de Cima, as Piscinas Municipais em Estarreja, a requalificação urbana da Curia e o Espaço Inovação na Mealhada.

 

 

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