SAAL

SAAL

O SAAL foi um projeto político e arquitectónico criado após o 25 de abril de 1974, para minorar as carências habitacionais das populações desfavorecidas.

Imagem: Fundação Serralves – folheto para famílias

 

O Serviço Ambulatório de Apoio Local (SAAL) é um projeto político criado após o 25 de abril de 1974 e extinto em outubro de 1976. Pretendia aproximar a arquitetura às necessidades reais de habitação das populações desfavorecidas. Um projeto em articulação com o Fundo Fomento da Habitação, feito “na rua” com equipas multidisciplinares, coordenadas por arquitetos, e com a participação direta dos futuros moradores dos bairros sociais.

O SAAL foi criado por despacho do arquiteto Nuno Portas, então secretário de Estado da Habitação e Urbanismo.

Muitos nomes da arquitetura nacional participaram ativamente neste projeto: Távora, Siza, Hestnes Ferreira, Gonçalo Byrne, entre outros.

SAAL
SAALCentro de Documentação 25 de abril – Universidade de Coimbra – Slides do arquiteto Alexandre Alves Costa

Enquadramento histórico

Antes da revolução do 25 de abril, Portugal viveu quatro décadas debaixo de uma ditadura, em que uma grande franja da população vivia com escassos recursos e em condições habitacionais precárias. Esta situação viria a agravar-se com a chegada dos retornados das ex colónias.

As políticas habitacionais do Antigo Regime criaram numa primeira fase núcleos de habitação unifamiliar e depois blocos habitacionais periféricos, sem acesso a transportes.

Após o 25 de abril surge o SAAL como uma necessidade de promoção de melhores condições de habitabilidade. Uma resposta aos gritos das ruas “Casas, sim,  barracas, não”.

As operações SAAL  dividiam-se em três grandes grupos: Norte, Centro—Sul e Algarve. Tinham adaptações às características regionais existindo duas situações paradigmáticas, Lisboa e Porto. As intervenções no Porto incidiram no centro urbano, onde predominavam as “ilhas” e os bairros degradados. Em Lisboa as principais operações decorreram em zonas de subúrbio. Nos arredores da cidade cresciam “bairros de lata” onde morava uma população vinda do campo atraída para a cidade pela indústria.

O SAAL em números

Associações legalizadas — 131
Operações – 174
Pedidos de operações – 271
Famílias envolvidas – 40.000
Terrenos adquiridos – 40 hectares
Projetos concluídos – 4.000 fogos
Projetos iniciados – 2.259 fogos

Contudo o SAAL colidia com os interesses de donos de terrenos e de promotores imobiliários. Acabaria por ser extinto em outubro de 1976, com a justificação de que algumas brigadas do SAAL se desviaram do espírito do despacho de 1974, atuando à margem do Fundo de Fomento de Habitação e das próprias autarquias locais. Acreditamos que a extinção se prende sobretudo com questões políticas e com o florescimento da especulação imobiliária que se vive até hoje.

Dez projetos do SAAL

O Processo SAAL: Arquitetura e Participação, 1974-1976 foi tema de uma exposição em Serralves (31out2014 – 01fev2015) e no Centro Canadiano de Arquitetura (12mai –  04out2015). São apresentados dez projetos através de maquetas, fotografias de época e atuais, vídeos e testemunhos de alguns dos protagonistas.

Recorde-se que o Centro Canadiano de Arquitetura é uma das instituições que irá acolher parte do espólio de Álvaro Siza Vieira.

Porto

Bairro de São Vítor de Álvaro Siza

Bairro das Antas de Pedro Ramalho

Bairro de Miragaia de Fernando Távora, Bernardo Ferrão e Jorge Barros

Bairro Leal de Sérgio Fernandez

Lisboa

Bairros Curraleira – Embrechados de José António Paradela e Luís Gravata Filipe

Quinta da Bela Flor de Artur Rosa

Bacalhau-Monte Côxo de Manuel Vicente

Quinta das Fonsecas – Quinta da Calçada de Hestnes Ferreira

Setúbal

Bairro Casal da Figueira de Gonçalo Byrne.

Algarve

Bairro Meia-Praia-Apeadeiro de José Veloso

 

+ INFO

Fundação Serralves – Dossier pedagógico sobre o SAAL

Fotografias – Centro de Documentação 25 de abril da Universidade de Coimbra

 

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