Mercado do Bom Sucesso, arquitetura modernista e de hoje

Mercado do Bom Sucesso

Exemplo de referência da arquitetura modernista do Porto, o Mercado do Bom Sucesso continua hoje bem vivo depois de recuperado, em 2013, pelos FA.A Arquitetos.

 

Enquadramento histórico

Quem olha hoje para o Mercado do Bom Sucesso ainda pode ler o seu traço modernista original. O edifício foi projetado em 1949, pelo gabinete ARS formado pelos arquitetos Fortunato Cabral, Cunha Leão e Morais Soares. Foi inaugurado em maio de 1952 e classificado como Monumento de Interesse Público em 2011.

A estrutura é em betão armado e a cobertura em concha é rasgada por grandes envidraçados. A cércea é de três pisos.

No piso da entrada do antigo Mercado situavam-se as bancas, sendo o segundo andar, em galeria, ocupado por lojas, como padarias e talhos.


Fonte da Imagem: Restos de Colecção

Com o decorrer do tempo, a atividade do Mercado entrou em declínio. A construção de outras superfícies comerciais na zona e a modificação de hábitos de compra ditaram o progressivo abandono das bancas.

Face a esta realidade, o Município decidiu entregar a gestão do Mercado a uma entidade privada. A superfície foi concessionada, por um período de 50 anos, à construtora Mota-Engil. Enceta-se então um processo de recuperação adaptando-o a um modo de vida atual e cosmopolita.

 

Projeto de requalificação do Mercado do Bom Sucesso

O projeto de requalificação do Mercado do Bom Sucesso é da autoria do atelier FA.A – Ferreira de Almeida Arquitectos.


© Ana Escada

O conceito do projeto foi criar um conjunto de bancas e lojas que oferecessem produtos variados e de qualidade e simultaneamente que o Mercado se reafirmasse como um lugar de encontro. Foram introduzidas duas novas valências: o Hotel da Música e uma área de escritórios ocupada pela Fundação António da Mota, fundador da Mota-Engil. O Mercado do Bom Sucesso reabriu ao público em junho de 2013.

 © Ana Escada

Embora a requalificação fosse alvo de críticas de personalidades conhecidas, pode-se verificar que a mesma trouxe uma nova dinâmica e movimento ao Mercado. A par da diversificada oferta gastronómica pode-se assistir a atividades culturais diversas.

Em termos arquitetónicos quando entramos no Mercado do Bom Sucesso continuamos a ler o edifício modernista original. Os novos corpos, do hotel e da fundação, integram-se harmoniosamente na preexistência sem negarem a sua contemporaneidade. Na verdade a ideia base de projeto foi criar dois corpos autónomos, que não “tocassem” na preexistência. No limite como se fosse possível anular esta adição contemporânea.

A forma dominante é a curva.

  © Ana Escada

   © Jorge Paulo Correia

A luz no interior  é abundante e forma um jogo de efeitos geométricos sobre os volumes.

© Jorge Paulo Correia

O projeto foi um dos quatros vencedores europeus dos Global Awards for Excellence, promovidos pelo Urban Land Institut, de Nova Iorque.

 

+INFO

Direcção Geral do Património Cultural

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